SERVIR NO ANONIMATO
O Padre Pedro dedicou a sua longa existência ao sacerdócio. Discreto, todos os dias às 04h00min h da manhã, humildemente, saía de sua residência à Rua Laranjeiras, para levar conforto, esperança e fé aos enfermos dos hospitais mais simples de Aracaju. Fazia sempre esse seu trajeto a pé, com sua modesta batina preta. Viveu para servir ao bem sem preocupação com a fama.
O Padre Marcelo Rossi dedica-se às causas do sacerdócio, levando as mesmas esperanças, fé e conforto a outras pessoas menos necessitadas materialmente. São na sua maioria pessoas de classe média e jovens, que se aglomeram em multidões, influenciados pelo apelo da mídia e pela fama do jovem Padre.
O Padre Pedro serviu no anonimato, com discrição e ninguém poderá dizer que durante seus oitenta e oito anos de vida não tenha efetivamente prestado mais serviço à causa de Deus do que o Padre Marcelo Rossi, com sua mídia e suas multidões. O Padre Pedro, dial e diuturnamente, cumpriu a sua missão sacerdotal com maior sacrifício e resultado que o Padre Marcelo em seus eventos esporádicos. Existem pessoas que servem no anonimato.
Desta forma foi a Dra. MARIA APARECIDA. Dedicou a sua curta existência para favorecer a causa da sociedade - através do Ministério Público Sergipano - longe da ribalta. Mais do que ninguém se conduziu, dentro do que se pode chamar de forma ilibada, na vida pública e privada. Na Promotoria de Justiça Criminal de Aracaju, exerceu a função com dignidade, destemor, lealdade, imparcialidade e probidade. Buscou sempre servir à instituição, sem usufruir dela.
A Dra. MARIA APARECIDA combateu os crimes próprios das classes poderosas - o tráfico e o consumo de entorpecentes, o abuso de autoridade e os delitos de trânsito. Mais do que qualquer outros, este é o delito próprio da classe média que se julga intocável acima da Lei e da autoridade do Estado. Acham que a justiça criminal só existe para os pobres. A Dra. APARECIDA nunca atendeu nem aceitou indignidade.
Fomos colegas e amigos, sempre nos respeitamos, esse foi seu comportamento, em relação aos outros colegas. Nesse mister tivemos uma experiência concreta: processou um meu cunhado por delito de trânsito, mas nunca conversamos sobre o assunto. Absolvido discordou ela da decisão da juíza, e recorreu ao Tribunal. Os familiares do meu cunhado quiseram esboçar descontentamentos. Fui o primeiro a defender a sua atuação:
“Se de um lado existe a família do réu, do outro tem a família da vítima. Neste caso a situação dela é difícil. Tratando-se de parente de um promotor, qualquer tergiversação de sua parte estaria ela desautorizada em relação a outras pessoas que cometessem delitos”, expliquei. Os familiares entenderam, aceitaram o recurso e suas duras acusações, procuraram defender-se no processo, como é peculiar a todos os réus.
Outro exemplo concreto de sua imparcialidade, de seu destemor e caráter, foi quando o filho de certo desembargador - muito influente na política e na administração pública, como um todo – atropelou e matou uma criança no trânsito. Não convicta das investigações produzidas pela polícia, devolveu o inquérito para novas diligências, sobre os protestos, revolta e críticas do desembargador e graças a Dra. MARIA APARECIDA, este caso não foi encerrado.
Assim foi Dra. MARIA APARECIDA DOS SANTOS, promotora de justiça, digna, honrada, na vida pública e privada. Em sua curta existência, não se encontra uma mácula. Sempre soube se conduzir como mulher e como promotora de justiça. Distante das hostes, da ribalta, dedicou-se à causa da justiça, da melhor maneira que entendeu ser a mais equânime e compatível com o interesse social.
Discreta, simples, longe dos holofotes e da fama. Serviu bem à sociedade, combateu o bom combate. Nunca fez do cargo e da função pública objeto de promoção pessoal. Buscou sempre o anonimato. Assim foi a sua permanência, nos últimos instantes do seu corpo na terra. Ao seu velório, sepultamento e missa de 7º dia, não acorreram multidões, apenas uns poucos amigos sinceros e despretensiosos. Não buscou a fama em vida e foi discreta na morte.
Deus conserve o seu espírito, com a mesma alegria e austeridade que lhe foram peculiares em vida. Dra. MARIA APARECIDA, seu brusco e prematuro desaparecimento, é por todos lamentado. Guardo ainda a lição de sua genitora D. MARIA, para consolar a tertúlia no pranto exequial, proferiu: “O QUE DEUS FAZ É BEM FEITO”. Saudades! Amiga, adeus!
Aracaju, 29 de novembro de 1999.
ANTONIO CARLOS NASCIMENTO SANTOS
PROMOTOR DE JUSTIÇA
O Padre Pedro dedicou a sua longa existência ao sacerdócio. Discreto, todos os dias às 04h00min h da manhã, humildemente, saía de sua residência à Rua Laranjeiras, para levar conforto, esperança e fé aos enfermos dos hospitais mais simples de Aracaju. Fazia sempre esse seu trajeto a pé, com sua modesta batina preta. Viveu para servir ao bem sem preocupação com a fama.
O Padre Marcelo Rossi dedica-se às causas do sacerdócio, levando as mesmas esperanças, fé e conforto a outras pessoas menos necessitadas materialmente. São na sua maioria pessoas de classe média e jovens, que se aglomeram em multidões, influenciados pelo apelo da mídia e pela fama do jovem Padre.
O Padre Pedro serviu no anonimato, com discrição e ninguém poderá dizer que durante seus oitenta e oito anos de vida não tenha efetivamente prestado mais serviço à causa de Deus do que o Padre Marcelo Rossi, com sua mídia e suas multidões. O Padre Pedro, dial e diuturnamente, cumpriu a sua missão sacerdotal com maior sacrifício e resultado que o Padre Marcelo em seus eventos esporádicos. Existem pessoas que servem no anonimato.
Desta forma foi a Dra. MARIA APARECIDA. Dedicou a sua curta existência para favorecer a causa da sociedade - através do Ministério Público Sergipano - longe da ribalta. Mais do que ninguém se conduziu, dentro do que se pode chamar de forma ilibada, na vida pública e privada. Na Promotoria de Justiça Criminal de Aracaju, exerceu a função com dignidade, destemor, lealdade, imparcialidade e probidade. Buscou sempre servir à instituição, sem usufruir dela.
A Dra. MARIA APARECIDA combateu os crimes próprios das classes poderosas - o tráfico e o consumo de entorpecentes, o abuso de autoridade e os delitos de trânsito. Mais do que qualquer outros, este é o delito próprio da classe média que se julga intocável acima da Lei e da autoridade do Estado. Acham que a justiça criminal só existe para os pobres. A Dra. APARECIDA nunca atendeu nem aceitou indignidade.
Fomos colegas e amigos, sempre nos respeitamos, esse foi seu comportamento, em relação aos outros colegas. Nesse mister tivemos uma experiência concreta: processou um meu cunhado por delito de trânsito, mas nunca conversamos sobre o assunto. Absolvido discordou ela da decisão da juíza, e recorreu ao Tribunal. Os familiares do meu cunhado quiseram esboçar descontentamentos. Fui o primeiro a defender a sua atuação:
“Se de um lado existe a família do réu, do outro tem a família da vítima. Neste caso a situação dela é difícil. Tratando-se de parente de um promotor, qualquer tergiversação de sua parte estaria ela desautorizada em relação a outras pessoas que cometessem delitos”, expliquei. Os familiares entenderam, aceitaram o recurso e suas duras acusações, procuraram defender-se no processo, como é peculiar a todos os réus.
Outro exemplo concreto de sua imparcialidade, de seu destemor e caráter, foi quando o filho de certo desembargador - muito influente na política e na administração pública, como um todo – atropelou e matou uma criança no trânsito. Não convicta das investigações produzidas pela polícia, devolveu o inquérito para novas diligências, sobre os protestos, revolta e críticas do desembargador e graças a Dra. MARIA APARECIDA, este caso não foi encerrado.
Assim foi Dra. MARIA APARECIDA DOS SANTOS, promotora de justiça, digna, honrada, na vida pública e privada. Em sua curta existência, não se encontra uma mácula. Sempre soube se conduzir como mulher e como promotora de justiça. Distante das hostes, da ribalta, dedicou-se à causa da justiça, da melhor maneira que entendeu ser a mais equânime e compatível com o interesse social.
Discreta, simples, longe dos holofotes e da fama. Serviu bem à sociedade, combateu o bom combate. Nunca fez do cargo e da função pública objeto de promoção pessoal. Buscou sempre o anonimato. Assim foi a sua permanência, nos últimos instantes do seu corpo na terra. Ao seu velório, sepultamento e missa de 7º dia, não acorreram multidões, apenas uns poucos amigos sinceros e despretensiosos. Não buscou a fama em vida e foi discreta na morte.
Deus conserve o seu espírito, com a mesma alegria e austeridade que lhe foram peculiares em vida. Dra. MARIA APARECIDA, seu brusco e prematuro desaparecimento, é por todos lamentado. Guardo ainda a lição de sua genitora D. MARIA, para consolar a tertúlia no pranto exequial, proferiu: “O QUE DEUS FAZ É BEM FEITO”. Saudades! Amiga, adeus!
Aracaju, 29 de novembro de 1999.
ANTONIO CARLOS NASCIMENTO SANTOS
PROMOTOR DE JUSTIÇA

Um comentário:
Meu caro Dr. AntÔnio Carlos.
Poucas são as pessoas de cujo caráter se fazem orgulhosas. Ela se foi mas deixou exemplo de vida e conduta. Potencializou e dignificou o cargo que ocupou e deixou sementes maravilhosas que por certo viscejarão no tempo e no espaço.
Feliz também enxergar neste mundo de hoje, homens de sua grandiosidade e que sabem diferenciar o justo do injusto, mesmo que isto venha a machucar pessoas mais ligadas fraterna ou familiarmente. São poucas as pessoas como Maria Aparecida, como também são poucos os que têm a dignidade comno a sua, meu caro amigo.
É verdade, como disse a genitora da saudosa promotora, DEUS SABE O QUE FAZ E NÓS NÃO SABEMOS O QUE DIZEMOS, quando queremos julgar a Sua Santa Vontade.
Pessoas como Maria Aparecida não morrem jamais. Apenas viajam no espaço, e lá de cima, no Paraíso, continuarão servindo na busca da perfeitção humana, por mais utópica que seja.
Um abraço do amigo
NEWTON PORTO
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